#6 Sob a Pele

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Filme: Sob a Pele (Under the Skin)

Ano: 2014

Diretor: Jonathan Glazer

A falta de tempo me impede de ser mais assídua por aqui, tentarei resistir ao desânimo, apesar de escrever sobre filmes ser motivador por si só. O de hoje é o Sob a Pele que, para além da sinopse, ficou conhecido pela mídia afora por ser “aquele filme em que Scarlett Johansson aparece nua”, mas também pela performance excelente da atriz no papel da alienígena.

Este é mais um filme sci-fi envolvendo seres extraterrestres, entretanto ao contrário do anterior, este foca em uma alien em específico, interpretada por Scarlett. O filme possui um ar soturno e misterioso, mantendo a expectativa de que algo inesperado irá acontecer no próximo minuto, sensação essa potencializada pelos efeitos sonoros de quando ela está dirigindo um carro pela Escócia, por exemplo, e em uma cena na praia. O nu de Scarlett não é gratuito, uma vez que é através da sedução que ela vai aos poucos entrando no universo terráqueo e dele extraindo sua vitalidade.

O desenrolar do filme, desde a entrada efetiva da sedutora alienígena na Terra até o aumento de sua curiosidade a respeito dos seres humanos, é muito bem executado, apesar de lento, o filme se arrasta muitas vezes, especialmente na busca incessante da personagem de Scarlett por homens para seduzir. Eu classificaria este filme como mediano, o mais interessante pra mim foi acompanhar a interpretação da protagonista, eu a acompanho desde Encontros e Desencontros, é sempre uma satisfação ver o quanto os nossos atores favoritos podem surpreender e crescer a cada filme.

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#5 Grandes Olhos

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Filme: Grandes Olhos (Big Eyes)

Ano:  2015

Diretor: Tim Burton

Grandes Olhos é mais um filme biográfico, dessa vez envolvendo um casal de artistas, Margaret (Amy Adams) e Walter Keane (Christoph Waltz). O elenco é de peso e a direção também, por isso a primeira vez que li sobre a produção e assisti o trailer no cinema, supus a indicação fácil aos principais prêmios, entretanto só houve uma representação, o Globo de Ouro de Melhor Atriz na categoria Comédia/Musical, que foi para Amy Adams.

É justamente a questão da categoria o que mais me incomodou neste filme, o próprio Imdb classifica como drama, o Globo de Ouro , como comédia e nessa falta de identidade, o filme se perde. A história daria o tom certo para um bom filme de drama, Margaret é uma pintora talentosa por retratar rostos com grandes olhos em suas telas, um tipo de arte mais íntima e pessoal. Mas Margaret é uma mulher na década de 50, com todas as dificuldades encontradas por uma mulher de conseguir ocupar um espaço de trabalho digno em uma sociedade machista e patriarcal, aliado a isso, é uma mulher tímida e frágil por isso talvez não tenha sido tão difícil inicialmente esconder-se na sombra do marido Walter, um homem extremamente ambicioso e sedutor que faz a própria fama as custas das pinturas da esposa, levando o crédito por toda a sua produção, com aquiescência de Margaret.

Enquanto Amy Adams dá o tom mais melancólico, Waltz é a contrapartida, seu personagem é um daqueles que “amamos odiar”, completamente cínico e mentiroso, mas também carismático por isso rimos (sadicamente) quando ele se utiliza de sua esperteza para conseguir a fama. Apesar de ser o lado cômico da produção, algumas cenas foram exageradas, como a do julgamento final, onde a dobradinha com Amy Adams e sua postura mais contida não funcionou, a meu ver. Tim Burton com certeza alçou novos caminhos com este filme, a começar por arriscar um grupo de atores diferentes de Johnny Depp e Helena Bonham Carter e por realizar uma produção baseada em fatos reais, afastando-se dos filmes de fantasia. Apesar de considerar o filme de mediano a bom, houve um salto de qualidade em relação a seus últimos filmes, como a comédia intragável Sombras da Noite.

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#4 Contatos Imediatos de Terceiro Grau

Filme: Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind)

Ano: 1978 (lançamento no Brasil)

Diretor: Steven Spielberg

É difícil eleger uma categoria de filme que não goste, portanto falar sobre minha paixão por filmes com a temática de vida extraterrestre talvez soe redundante, mas sou fascinada por ficção científica que toque neste ponto. Contatos Imediatos do Terceiro Grau é um clássico dos sci-fi que eu ainda não tinha tido a oportunidade de apreciar, de longe se tornou um dos meus preferidos sobre o tema.

A primeira parte do filme aborda certos acontecimentos estranhos ocorrendo pelo mundo, como o súbito aparecimento de um antigo navio no meio do deserto e de um avião de 1945 na ásia, aliados a relatos de certas visões de aparições no céu. Vemos tudo isso pelas lentes de certos cientistas, um deles encarnado famoso diretor francês François Truffaut. Depois, somos apresentados a outros personagens nos EUA que não demoram a ter as mesmas visões e experiências, como o comum homem casado e pai de dois filhos, Roy (Richard Dreyfuss) que tem sua vida mudada ao deparar-se frente a frente com uma nave espacial e Jillian (Melinda Dillon), mãe de Barry (Cary Guffey), atormentada pelo fascínio do filho pelos visitantes do espaço.

Mais um filme cuja fotografia levou a estatueta do oscar de 1978 e indicações em melhor diretor para Steven Spielberg que perdeu para Woody Allen por Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Disputa difícil essa, apesar de achar Annie Hall superestimado, em um ranking de filmografia, colocaria outros de Allen acima deste. Contatos Imediatos também concorreu a melhor atriz coadjuvante (Melinda Dillon), perdeu para Vanessa Redgrave por Julia, melhor direção de arte, melhor edição, melhores efeitos especiais, melhor trilha sonora e melhor som. A premiação em todos esses quesitos técnicos foram barrados por Star Wars, nada mais justo.

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#3 Dois Dias, Uma Noite

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Filme: Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit)

Ano: 2015 (lançamento no Brasil)

Diretor: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

Dois Dias, Uma Noite é um daqueles filmes europeus de premissa simples, mas especialmente cativante, e também uma daquelas produções que parecem ter sido feitas para a atriz (ou ator) principal. Não é a toa que Marion Cotillard, a atriz que carrega brilhantemente o filme todo nas costas, foi indicada a estatueta do Oscar e a maioria das indicações e vitórias em premiações foram creditadas a ela.

Vamos a sinopse, trata-se da história de Sandra, empregada em uma fábrica cuja vida é mudada completamente frente a uma resolução imposta pelos chefes, trata-se de uma perversa votação onde os companheiros de trabalho de Sandra devem decidir se optam por ganhar um bônus de mil euros cada um ou se aceitam manter o emprego de Sandra. A primeira votação fora realizada, a maioria esmagadora preferira o bônus, mas com a ajuda de uma amiga ela convence um dos chefes a realizar nova votação dali a dois dias, na segunda-feira. A partir daí o filme vira uma corrida contra o tempo onde Sandra dispõe de dois dias e uma noite para convencer todos seus colegas de trabalho a declinarem do bônus em favor de seu emprego.

Quando entendi do que se tratava o filme, temi morosidade no roteiro, afinal trata-se de Sandra percorrendo a cidade de casa em casa conversando com as pessoas, pedindo por si. Mas é aí que a atuação de Marion é um dos pontos mais fortes do filme, além da condução da história que vai se tornando interessante aos poucos, quando vamos entendendo quem é Sandra. Através de Marion, pude sentir, em cada casa visitada, a vergonha de tentar convencer as pessoas do óbvio, não é culpa dela ter sido colocado em jogo a perda ou não de um bônus tentador, além de praticamente ter que implorar por seu emprego, através do qual ela sustenta dois filhos.

O parágrafo abaixo contem spoilers.

É bonito assistir a motivação do marido, ajudando-a nessa difícil empreitada, principalmente quando o quebra-cabeça é montado e entendemos que Sandra acabou de sair de uma licença no trabalho por depressão, o que tornaria ainda mais difícil para ela ter que levantar esses dois dias da cama na luta por si mesma. Isso também torna o final mais emocionante ainda, quando ela pode pela primeira vez se reafirmar, tomando uma atitude ativa em relação a própria vida, ao declinar do emprego, em prol de outro colega que sofreria o mesmo caso ela fosse readmitida. É um belo filme que vale muito a pena assistir.

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#2 Lawrence da Arábia

Filme: Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia)

Ano: 1963

Diretor: David Lean

Lawrence da Arábia é um filme bem grande, com aproximadamente quatro horas de duração e, surpreendentemente, não é um filme tão cansativo quanto eu esperava, levando-se em consideração que gosto de filmes épicos e biográficos, como o outro do mesmo diretor, Doutor Jivago, também enorme com mais de três horas de duração, mas também excelente. O filme de hoje é baseado na vida de T. E. Lawrence, descrita no livro auto-biográfico Sete Pilares da Sabedoria.

O personagem do título é Lawrence (Peter O’Toole), um oficial britânico lutando na Primeira Guerra Mundial que vem a ser designado como intermediário entre o Reino Unido e os árabes, na sua luta contra a invasão turca. Com o tempo, imerso na vida beduína e tendo o deserto como pano de fundo (e algumas vezes também protagonista), ele acaba identificando-se com a cultura arábica, passando a se tornar uma espécie de herói para este povo quando consegue vencer uma difícil missão de erradicar os turcos de certo território, a região da Aqaba.

A identificação de Lawrence com a figura do herói é o ponto central da trama, em uma cena quando ele ainda está começando a desbravar o deserto, Lawrence lembra a seu companheiro Sherif Ali (Omar Sharif) que ele é o responsável pela sua própria história, contrapondo-se a religião islâmica que acredita na imutabilidade do destino, escrito por Deus e imodificável pelos homens. Apesar de mais a frente Lawrence perceber que talvez haja um destino irrevogável, a personalidade inconformada e salvadora permanece e não tarda para ele sentir-se confortável na posição de herói e salvador do povo árabe.

Um dos pontos altos deste filme é a bela fotografia, rendendo-lhe um oscar em 1963 de melhor fotografia e mais seis, melhor filme, melhor diretor, melhor edição, melhor direção de arte, melhor som e melhor trilha sonora. Peter O’toole perdeu o de melhor ator para Gregory Peck pelo O Sol é Para Todos e Omar Sharif, de melhor ator coadjuvante para Ed Begley em Doce Pássaro da Juventude, não assisti a nenhuma dessas duas produções, apesar de já ter visto primorosos elogios ao primeiro filme, mas no caso de Lawrence da Arábia, o ator principal está excelente, colocando em tela na medida certa todas as agruras de um jovem homem lidando pela primeira vez com questões tão humanamente difíceis como guerra, assassinato e corrupção.

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#1 O Grande Golpe

Filme: O Grande Golpe (The Killing)

Ano: 1956

Diretor: Stanley Kubrick

Existem alguns critérios que eu utilizo para selecionar o próximo filme a assistir, usualmente eu prezo pelos clássicos, premiados e recomendados, utilizando como fonte o famoso livro 1001 filmes para ver antes de morrer e as mais famosas premiações, sou viciada pela premiação de Cannes, também me baseio no Urso de Ouro do Festival de Berlim e, obviamente, o Oscar. Não trato como menos os não agraciados com estatuetas, mas este critério facilita a minha busca e enriquece meu repertório com os tão famosos filmes que não podem deixar de faltar na filmografia de um amante da sétima arte. Além desses, tento me manter atualizada com os filmes mais novos em cartaz, neste caso, a sinopse, atores e diretor já é o suficiente para me atrair, ou não.

Também me utilizo dos eufemismos, ou seja, como há quem julgue o livro pela capa, eu “julgo” o filme pelo diretor, tenho alguns preferidos e busco seguir suas obras, tentando perscrutar a genialidade desses fascinantes mestres na arte de trazer sonhos a tela. É o caso do filme O Grande Golpe (The Killing), considerado como o primeiro grande filme do diretor mais queridinho de todos, Stanley Kubrick. Assisti recentemente o documentário Room 237 (O Labirinto de Kubrick, no título brasileiro), recheado de teorias mirabolantes sobre a obra prima O Iluminado do diretor, motivando-me a buscar os filmes ainda não vistos: O Grande Golpe, Glória Feita de Sangue, Spartacus e Nascido para Matar.

Não me recordo a fonte, mas lembro ter lido que O Grande Golpe foi execrado pelo diretor, que o qualificou como péssimo, dentre outros adjetivos nada agradáveis, por isso, minhas expectativas eram baixas, mas qual foi minha surpresa ao me deparar com um filme inteligente e que me prendeu do início ao fim. Depois entendi que a auto crítica negativa harmoniza-se com o famoso perfeccionismo exarcebado de Kubrick, que filmava incontáveis vezes a mesma cena e era capaz de levar os atores ao limite para conseguir atingir a perfeição – que o diga Shelley Duvall, companheira de cena de Jack Nicholson em O Iluminado, é conhecido o quanto Kubrick era extremamente duro com ela a fim de conseguir extrair o máximo de raiva e medo da atriz.

Voltando ao filme noir O Grande Golpe, como o nome prenuncia, se trata de uma espécie de “alguns homens e um segredo” dos anos cinquenta – parafraseando o filme Onze Homens e Um Segredo -, o segredo em questão é um golpe a um hipódromo comandado pelo ex-presidiário Johnny (Sterling Hayden). O início do filme funciona como uma apresentação, em narrativa não linear, dos personagens participantes deste crime, os principais são o próprio Johnny, o temeroso George (Elisha Cook Jr, conhecido por grandes filmes do gênero noir como os excelentes Falcão Maltês e À Beira do Abismo) e sua esposa Sherry (Marry Windsor), no desenrolar, vemos todo o esquema sendo desenhado, a insegurança de George e a esperteza de Sherry nos dá algumas pistas de onde virá a famosa expressão “nenhum crime é perfeito”. Apesar da aparente obviedade da trama, a terceira parte do filme nos brinda com reviravoltas surpreendentes, me deixando particularmente boquiaberta. O filme é baseado em um livro de Lionel White de mesmo nome, inaugurando o que viria a ser uma das preferências de Kubrick, seus  mais famosos filmes O Iluminado, Laranja Mecânica e 2001 também são baseados em livros.

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Apresentação

Oi.

Todos os pontos de vista mostram a vista de um ponto, cada um de nós somos tocados por um ou mais pontos de uma obra de arte (cinema, literatura, música, pintura, etc) e acredito ser este toque o impulsionador de uma opinião. A identificação com personagens, enredos, formas de se contar uma história, frases nos livros ou fotografias de um filme sedimentam a construção do predicado da frase “eu sou…”; a busca é incessante, por isso a arte é confortadora. Muito se fala em “fugir da realidade” quando se elencam os motivos pelos quais busca-se um filme para assistir, acho genuíno, mas sentir-se grato pelo filme ter sido tão envolvente ou pelo livro ter sido tão fascinante não deixa de ser uma espécie de “eterno retorno”, fugindo da realidade acabamos nos voltando para nós mesmos em um ciclo irreparável e maravilhoso.

O objetivo deste espaço é apresentar a minha visão de um ponto, a princípio de filmes e, quem sabe, de livros. Talvez o objetivo mude ou não no decorrer desta experiência – confesso, tantas vezes adiada e “deletada” – não pretendo me fechar em uma única abordagem. Afinal, os pontos do mundo são muitos e a minha visão, ainda bem, sempre pode e deve mudar.

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